1# SEES 4.12.13

     1#1 VEJA.COM
     1#2 CARTA AO LEITOR  O PBLICO E O PRIVADO
     1#3 ENTREVISTA  JORGE LANATA  UMA VOZ CONTRA CRISTINA KIRCHNER
     1#4 LYA LUFT  TOMIE OHTAKE E A ESPERANA
     1#5 LEITOR
     1#6 BLOGOSFERA
     1#7 EINSTEIN SADE  REABILITAO: SUPERANDO LIMITAES

1#1 VEJA.COM
A VEZ DOS E-BOOKS
O dia 5 de dezembro  considerado um marco para o mercado brasileiro de e-books. Nessa data, h um ano, os trs gigantes mundiais do ramo  Amazon, Kobo e Google Play Livros  comearam a operar no pas. Foi a, afirmam os profissionais da rea, que teve incio para valer o negcio do e-book no Brasil. Para marcar esse primeiro ano, o site de VEJA estreia uma parceria com a Amazon, que passa a disponibilizar, com atualizao de hora em hora, o ranking de e-books mais vendidos no pas. O site traz ainda reportagem que mostra por que o segmento  visto com otimismo por especialistas, que projetam uma participao de at 10% para os livros digitais ao fim de 2014. 

A ROTA AT O HEXA
Na sexta-feira 6, as 32 selees classificadas para a Copa do Mundo conhecero seus primeiros adversrios e seu caminho no torneio. O sorteio dos grupos, na Bahia, promete ser o mais emocionante j realizado pela Fifa, pois as novidades na montagem das chaves aumentam a possibilidade de formao de "grupos da morte". O Brasil pode cair com equipes como Itlia, Inglaterra, Franca, Holanda ou Portugal logo de cara. Saiba como funcionar a definio das chaves e acompanhe, durante toda a semana, os preparativos para o primeiro grande evento do Mundial de 2014. 

A HISTRIA DO HOMEM A PARTIR DAS PLANTAS
No livro 50 Plantas que Mudaram o Rumo da Histria, o jornalista e escritor ingls Bill Laws mostra como o tabaco e o caf influenciaram o sistema bancrio mundial, como a tulipa gerou o primeiro grande colapso financeiro da histria e como o cnhamo - uma das denominaes da maconha - serviu de matria-prima para fazer o papel em que foi impressa a declarao de independncia dos Estados Unidos. Em entrevista ao site de VEJA, Laws diz: "As plantas tiveram e tm papel significativo e muito mais amplo do que se pensa na histria da humanidade. Ignorar isso no  s ingnuo,  perigoso". 
* Jardineiro Casual: assista aos programas em vdeo sobre cuidados com plantas e flores.

A HORA CERTA DO CAFEZINHO
Pesquisa recente realizada por uma Universidade em Maryland, nos Estados Unidos, relaciona os efeitos do caf no organismo aos horrios em que a bebida  consumida. O programa VEJA Cincia desta semana destrincha o estudo e mostra que existe at a hora certa para o primeiro cafezinho do dia, entre 9h30 e 11h30 da manh. Saiba porqu.


1#2 CARTA AO LEITOR  O PBLICO E O PRIVADO
     O Brasil sofre de uma forte e resistente miopia sobre os limites entre o pblico e o privado. Historicamente, a elite poltica brasileira  patrimonialista. Os poderosos tendem a confundir o poder poltico com o direito de usar e abusar do patrimnio pblico como se fosse sua propriedade privada. O patrimonialismo vem de longe. O Brasil j nasceu loteado por potentados portugueses que ganhavam da coroa aqui vastas concesses de terras. Na mesma caravela vinham os poderes quase absolutos para administrar sua gente e sua riqueza. Esse pecado original ainda hoje marca a conduo da coisa pblica no Brasil. Traos desse odioso rano histrico aparecem em pelo menos quatro reportagens desta edio de VEJA. 
     A primeira narra como a Pepper, uma agncia de publicidade de Braslia contratada pelo PT, recebe dinheiro pblico atravs de contratos que ela obtm, direta ou indiretamente, no governo federal. A segunda revela um novo captulo da novela das denncias de corrupo na venda de trens urbanos aos governos tucanos de So Paulo. A novidade  a forte suspeita do uso da Polcia Federal por parte do ministro da Justia, Jos Eduardo Cardozo, para esquentar uma investigao sobre cobrana de propinas por parte de adversrios polticos, os tucanos de So Paulo. A terceira  a estarrecedora revelao de que o combustvel de um  helicptero pego pela PF no Esprito Santo com meia tonelada de cocana era pago com verba do Senado Federal e o piloto da aeronave pertence aos quadros da Assembleia Legislativa mineira. O helicptero  de uma empresa do senador Zez Perrella (PDT-MG) e de seu filho, Gustavo Perrella, deputado estadual em Minas Gerais. 
     A quarta reportagem explica as razes pelas quais o dono de um hotel em Braslia ofereceu o cargo de gerente a Jos Dirceu, que cumpre pena em regime semiaberto na penitenciria da Papuda pelos crimes cometidos no escndalo do mensalo. Resta bvio que o proprietrio do hotel no est interessado nos dotes gerenciais de Dirceu. O que ele quer  aquilo que Dirceu mercadeja desde os tempos em que, no cargo de ministro-chefe da Casa Civil de Lula, foi o segundo homem mais forte do Brasil: trnsito privilegiado nos domnios pblicos de interesses privados de amigos e aliados. Uma capa de VEJA de junho de 2005 trazia os dizeres "PT  O grande erro. Confundir o partido com o governo". Sobre o braso da Repblica, um post-it amarelo cobria a palavra Brasil, substituindo-a por "Z". Internamente, a reportagem relatava como, sob as ordens de Jos Dirceu, o governo Lula estava sendo privatizado por publicitrios e banqueiros a servio de interesses partidrios. O histrico costume patrimonialista  o alimento da corrupo, da qual a burocracia e a m gesto so o oxignio. Eis aqui um caso dramtico em que  essencial conhecer a histria para no repeti-la. 


1#3 ENTREVISTA  JORGE LANATA  UMA VOZ CONTRA CRISTINA KIRCHNER
O apresentador de TV que mais denuncia a corrupo na Argentina revela que empresas so obrigadas a pagar propinas mensais ao governo. Corajoso, no teme represlias.
TATIANA GIANINI, DE BUENOS AIRES

As noites de domingo na Argentina so sempre tensas para a presidente Cristina Kirchner. Em abril de 2012, o canal de televiso aberta El Trece, do Grupo Clarn, estreou o programa Periodismo para Todos (PPT), conduzido pelo jornalista Jorge Lanata, de 53 anos. O ttulo j  uma provocao ao discurso populista da presidente, que vive prometendo futebol, habitao e leite "para todos". Com humor na medida e muita investigao, Lanata revela os mais escabrosos casos de corrupo do governo Kirchner. Sua fama est consolidada. No ano passado, uma pesquisa com 3000 argentinos mostrou que ele tem o dobro de credibilidade da presidente. Por obra do governo, porm, o futuro do programa est ameaado. Em outubro ltimo, a Suprema Corte declarou constitucional a Lei de Mdia, que, entre outras implicaes, pode forar o Grupo Clarn a se desfazer do canal El Trece. Lanata recebeu VEJA em seu apartamento no bairro Recoleta, acompanhado de Salsa, uma fmea de buldogue-francs, fumando sem parar. 

As gestes de Nstor e Cristina Kirchner foram as mais corruptas da histria recente da Argentina? 
H anos me perguntam qual governo foi pior e qual roubou mais. Sempre respondi que isso no interessa. Importa  quem est roubando agora. Estou convencido, porm, de que a corrupo hoje  at maior do que na gesto do presidente Carlos Sal Menem (1989 a 1999). Os Kirchner criaram um novo tipo de corrupo. No governo Menem, os polticos pediam propinas para autorizar certas obras pblicas ou direcionar licitaes. O casal Kirchner foi muito alm. 

De que forma? 
Eles participam das empresas como se fossem scios. A corrupo  muito mais estrutural. Se uma companhia quer vencer um leilo para construir uma ponte, eles concedem. No entanto, passam a cobrar 10% do lucro corporativo daquele momento em diante. No basta o empresrio pagar propina uma nica vez. Todo dia 5, para sempre, um burocrata vai passar na recepo das empresas para pegar uma mala com o pagamento. Na lista de quem tem mais dinheiro na Argentina, alm dos ricos de sempre, trs nomes do sul do pas, a regio dos Kirchner, entraram para o grupo recentemente. Todos esto vinculados ao governo. So eles Lzaro Bez, empreiteiro, Cristbal Lpez, dono de empresas de petrleo, e Gerardo Ferreyra, da Electroingeniera, uma construtora de obras pblicas. 

Qual foi a denncia mais grave que seu programa j divulgou? 
Foi a srie de revelaes que chamamos A Rota do Dinheiro K. Em abril, o Periodismo para Todos exibiu uma reportagem mostrando que Lzaro Bez, amigo e scio do casal Kirchner e dono de uma empreiteira que realizava obras pblicas na provncia de Santa Cruz, tirou do pas 55 milhes de euros de forma ilegal. O dinheiro saa de Rio Gallegos, na provncia de Santa Cruz, fazia escala operacional em Buenos Aires e seguia para ser depositado em contas na Sua e de empresas em parasos fiscais, como Belize. Mostramos que Bez est envolvido com lavagem de dinheiro, superfaturamento de obras pblicas e evaso de divisas. Bez, um ex-funcionrio do Banco de Santa Cruz, tornou-se nos ltimos anos um empresrio com investimentos nos setores imobilirio, hoteleiro e de petrleo. Tem 3 bilhes de dlares. Quanto disso  dele, quanto seria de Nstor e quanto  de Cristina? No tenho ideia, mas estou certo de que uma parte foi para ela. 

O enriquecimento pessoal  o principal propsito da corrupo no governo de Cristina Kirchner? 
A esta altura, o dinheiro no importa tanto, porque j se acumulou muito. No esto nem a para isso. A grande questo  permanecer no poder. No duvido que a presidente renunciaria para preservar a mstica se encontrasse um jeito de manter influncia na Casa Rosada no futuro, j que no pode se reeleger. 

O filho da presidente, Mximo Kirchner, pode tentar suceder a ela? 
Mximo  um dos principais conselheiros da presidente. Ele integra a chamada mesa chica, que toma as decises. Essa cpula  formada pela me, pelo filho, por Carlos Zannini, secretrio para assuntos legais, e Hctor Icazuriaga, o secretrio de Inteligncia. Mas Mximo no tem carisma.  um homem que no fala. Outro dia, por casualidade, ele deu entrevistas sobre a doena da me, no aeroporto de Santa Cruz. Era difcil escutar sua voz. Ele no est capacitado para o cargo. 

Qual ser o legado dos Kirchner para a Argentina? 
Essa foi uma dcada desperdiada. Nunca entrou tanto dinheiro na Argentina e nunca se perdeu tanto. O pas passou dez anos gastando o que tinha, imaginando que depois algum vir pagar a conta. Mesmo com os recursos vindos das exportaes, a proporo de pobres continua em torno de 30% da populao e a de indigentes, em 15%. H muito clientelismo. A educao no funciona. A poltica exterior  absurda. Viramos amigos do Ir e brigamos com o Uruguai, nosso vizinho. O controle de cmbio fracassou e as reservas internacionais em dlares esto acabando. Um ajuste  urgente e necessrio, mas ningum quer faz-lo. 

Qual  o real objetivo da Lei de Mdia, que o governo alega ter sido feita para democratizar os meios de comunicao na Argentina? 
Este governo se sente incomodado com a questo da audincia. Embora seus membros e empresrios amigos tenham investido milhes de pesos em veculos de comunicao, nenhum programa chapa-branca consegue mais de 3 pontos de audincia. Eles tm dinheiro, mas no tm talento. O texto da lei limita para os meios privados um mximo de 35% do mercado de televiso aberta. As empresas tambm no podem alcanar mais de 35% da populao em televiso a cabo nem possuir mais de dez licenas de rdio. Mas audincia no  algo que possa ser repartido assim, por decreto. Uma cidade pode ter 400 rdios que ningum ouve e uma que concentra todo o interesse dos ouvintes. O que determina o pblico  a qualidade. Meu programa na Rdio Mitre alcana 52% dos ouvintes no seu horrio. O que o governo espera que eu faa? Que pea s pessoas que no me escutem? No posso fazer isso. Se o governo tivesse bons programas, eles teriam 50% da audincia. No conseguem isso porque o povo no  idiota. O jornalismo oficialista s funciona quando no tem concorrentes. Em Cuba, o Granma vende jornais apenas porque no existem outras opes. 

Seu programa dominical Periodismo para Todos vai deixar de existir quando a lei for implementada? 
No consegui saber ainda quanto a Lei de Mdia vai nos afetar. Num primeiro momento, o governo ameaou o Clarn com um ultimato. Diziam que as autoridades decidiriam com quais empresas o grupo ficaria. Depois, o Clarn apresentou um plano de adequao, que est sendo analisado. Neste ano, estaremos no ar at 8 de dezembro. A princpio, voltaremos em abril, mas o retorno  uma incgnita. No sei se o canal continuar existindo ou se vamos sofrer interveno do governo. Se for assim, eu no ficarei. Espero que eles faam direito as contas, porque neste momento o custo poltico de nos tirar do ar seria muito grande. Cinco milhes de argentinos nos vem todos os domingos. Temos uma audincia mdia de 20 pontos, um ndice que  um delrio para um dominical jornalstico. Nenhum programa que fala de poltica na Argentina se compara a isso. O governo at mudou o horrio do campeonato argentino de futebol, em maio passado, para que as partidas coincidissem com o incio do PPT. Com televisores ligados nos jogos, achavam que perderamos audincia. Ns levamos a melhor. Das vinte vezes em que competimos com o futebol, o placar foi favorvel  nossa equipe em quinze. 

O governo argumenta que o Grupo Clarn tem o monoplio das comunicaes. Essa acusao faz sentido? 
O Clarn no  um monoplio. Tecnicamente, isso s acontece quando um fornecedor controla o mercado de um produto ou servio. A Argentina tem vrios canais de televiso aberta, centenas de jornais, milhares de rdios. Esses meios de comunicao pertencem a diferentes proprietrios e h um cenrio plural de opinies. 

Os argentinos concordam com as aes governamentais contra o Clarn? 
Pesquisas recentes mostram que apenas uma minoria cr nos propsitos declarados das autoridades (de acordo com a consultoria Management & Fit, 30% crem que a lei busca democratizar os meios). A maior parte dos argentinos acredita que os meios de comunicao devem ter o direito de publicar ou transmitir o contedo que quiserem sem o controle do governo.  evidente que a Lei de Mdia foi feita contra um grupo em particular, o Clarn. Essa  a nica empresa contra a qual o governo briga atualmente. Se a lei fosse aplicada de forma isenta, outros empresrios teriam de se adaptar, mas eles no tm sofrido represlias por  causa disso. Uma das clusulas diz que uma empresa que oferece servios pblicos no pode ter um canal. No entanto, a emissora de televiso Telef  controlada pela Telefnica da Espanha, que por sua vez prov servios de telecomunicaes. Nenhuma presso foi feita. A desculpa  que a Telefnica argentina no tem nada a ver com a da Espanha. Outro exemplo: o Canal 9  de um empresrio da Amrica Central, o mexicano ngel Gonzlez Gonzlez, que produz novelas. Esse canal ignora a regra segundo a qual uma porcentagem dos programas deve ser produzida localmente. O governo nada faz. Permite que esse canal viole a Lei de Mdia com um monte de enlatados, contanto que exibam programas pr-governo. 

Qual foi a pior ameaa pessoal que voc j recebeu? 
Ultimamente, no tenho recebido tantas. Na poca em que eu dirigia o jornal Pgina/12, a redao recebeu cinco ameaas de bomba. O clima agora est mais calmo, mas no pacfico. Em outubro do ano passado, quando viajei  Venezuela para cobrir as eleies, fui acusado pelos chavistas de fazer espionagem. Nosso grupo tinha sete pessoas. Fomos presos e forados a apagar toda a filmagem que tnhamos feito. Um desastre. Liguei para o embaixador argentino na Venezuela, mas o diplomata no nos ajudou em nada. Ele fez tudo o que era possvel para agradar a Hugo Chvez. S nos liberaram duas horas depois. 

O governo argentino ataca jornalistas diretamente? 
Eles hostilizam os profissionais de uma maneira incrvel. Se um jornalista menos conhecido descobre irregularidades no governo, geralmente decide no public-las. Tem medo da reao. Alm disso, poucos querem brigar com o chefe, pois oito em cada dez veculos argentinos so fiis  Casa Rosada. Essa situao obviamente gera muita autocensura. 

Seu programa faz bastante uso do humor. Isso incomoda o governo? 
Claro! Mais at do que as denncias. Os polticos querem ser respeitados. So muito solenes. Se algum ri deles, ficam desarmados. Os gregos, com a stira, faziam humor poltico. No Brasil, o Pasquim brigava com a ditadura usando o humor. Na minha carreira, sempre fiz isso. Quando dirigi o jornal Pgina/12, o ento presidente Menem nos chamou de "imprensa amarela". No dia seguinte, o jornal chegou s bancas todo impresso em pginas amarelas. O humor  essencial para nos aproximar dos jovens. Eles comeam a assistir ao nosso programa para se divertir, mas acabam ficando e escutando a parte poltica. Rir  bom. 

Como as denncias chegam a seu programa? 
De todos os lados. s vezes, at de funcionrios do governo. Quanto mais briga interna h na mquina estatal, mais dados ficam disponveis para os jornalistas. Em geral, nenhuma informao  inocente. Quando algum me conta algo,  por algum interesse pessoal. Para mim, o que importa  investigar se a denncia  verdadeira. No tenho de proteger ningum. Temos ainda mais denncias esperando a hora para entrar no programa. 

Quais? 
Espere para ver. 


1#4 LYA LUFT  TOMIE OHTAKE E A ESPERANA
     O artigo de hoje pode parecer feito de retalhos, mas h uma linha que costura essa colcha e a faz inteira. 
     Primeiro, as matrias sobre a artista plstica Tomie Ohtake, que acaba de completar 100 anos. Poucas rugas, aquele arzinho distrado e contente, fala pouco, produz imensamente, e toda a sua arte tem sido para mim uma renovao de surpresas boas. Eu a conheci pessoalmente h uns vinte anos, no seu ateli onde se casava um querido amigo, Arthur Nestrovski. Ela chegou, minscula, vestida de preto, homenageada carinhosamente por todos, a mais absoluta ausncia de deslumbramento. Inclinei-me, eu muito grande, ela pequena, e comentei de modo nada original: "Tomie, a vida borbulha nessas suas telas em vermelho". Ela sorriu, fez um sinal para que eu me abaixasse outra vez e disse: "Eu no pinto para os crticos, pinto para me divertir" (ou "para  minha alegria", algo assim). Guardei essa bela lio de vida e de trabalho. Nas entrevistas de agora, perguntaram  nada original tambm  como era fazer 100 anos. Ela respondeu com aquela sua simplicidade meio divertida, meio enigmtica, que nunca pensa nisso.  sempre ela mesma, ainda tem sade, e pode pintar. 
     Fiquei refletindo nisso enquanto pensava (a gente pode pensar mais coisas ao mesmo tempo) no desespero com que tantas mulheres se desfiguram com sucessivas plsticas e outros procedimentos, no para apenas corrigir algum defeito ou sinais de velhice prematura, mas inventando narizes que no combinam com a estrutura do rosto, repuxando pele at se assemelharem a mscaras com bocas ginecolgicas que devem lhes parecer , sensuais. Ento viva Tomie, no s pela sua arte inigualvel, mas pela postura de vida. 
     Segundo, j que Tomie nos d um banho de esperana, falo aqui no contrrio disso: na desesperana e desinteresse que andaram provocando posturas e composturas negativas de polticos vrios, alguns hoje prisioneiros (nada polticos, como desejam afirmar). Renasceu a nossa confiana, finalmente algo aconteceu e chama a ateno de outros possveis infratores  cuidado, a Justia ainda existe. Lenta, confusa, arrastando processos por anos ou dcadas, mas aqui e ali funciona. Mas, depois, o chuveirinho frio: quantas regalias para esses presos, enquanto as famlias dos chamados "comuns" sofrem cansao, espera interminvel, vexame e sofrimento para poderem ver seus queridos. Justia social, to declamada, comea em casa. penso  e procuro agir conforme. Mas, na hora de sermos iguais tambm na punio, achamos bem ruim esse lema. Que ningum sofra injustamente, mas que o povo. j to desinteressado devido s sucessivas decepes, no tenha mais um motivo para descrer na Justia, na ordem, e no fato tantas vezes negado de que aes tm consequncias  nem sempre privilgios. 
     Terceiro, tambm nessa direo: num recente encontro com empresrios, pediram que eu falasse sobre famlia. Entre as muitas boas perguntas, um deles indagou como administrar a abundncia na educao dos filhos. No deve ser fcil mostrar a crianas e adolescentes que ter muito dinheiro no significa ter tudo, sem limites. A abundncia habitualmente  fruto de trabalho, agora ou ontem; ter muito no significa ser muito feliz; h valores a ser cultivados e preservados, e passados adiante pelas geraes, a fim de que tudo no desmorone como um grande castelo erguido sobre um mangue. Talvez se possa gerir a abundncia com alguma escassez: o menos  mais educativo do que o mais. Com o verdadeiro afeto que impe limites, muito se pode fazer. Ser monetariamente privilegiado no significa necessariamente ser mal-educado, mimado, perdulrio, fora da realidade. A realidade diz que para ter  preciso conquistar, e depois preservar, com tica e sensatez  sendo tica um termo to desprivilegiado entre ns que parece ftil. No . 
     A vida pode nos passar uma bela rasteira, quer sejamos pobres, quer tenhamos abundncia  nossa disposio. Educar  porque se ama e se cuida   tambm preparar para isso. 


1#5 LEITOR
A LEI E OS MENSALEIROS PRESOS
 vergonhosa a hipocrisia de alguns na tentativa de transformar em heris e vtimas os mensaleiros presos ("A lei e os fora da lei", 27 de novembro). A pluralidade de opinies sobre o assunto  importante, mas pensar em Jos Genoino e Jos Dirceu como "presos polticos" no Brasil governado pelo PT  paranoia. 
DRIO MILECH NETO 
Pelotas, RS 

Excelente a capa retratando a luta de nosso Batman, com sua toga preta, contra os criminosos da Gotham City do Hemisfrio Sul. 
LEONARDO GIORDANO 
Braslia, DF 

Cerrar os punhos j significou a democracia corintiana, os gols do mineiro Reinaldo, a fora dos integrantes do movimento Black Power e at o inocente jogo pedra, papel e tesoura. Os mensaleiros conseguiram cunhar mais um significado para o ato: o de cara de pau do sculo. 
HUMBERTO BELTRAN 
Nova Alvorada do Sul, MS 

A reao dos mensaleiros presos, como Jos Dirceu e Jos Genoino, erguendo o brao esquerdo com o punho cerrado, parece, alm da agressividade e do mau gosto, um gesto que demonstra dio e vingana contra aqueles que legal e justamente os condenaram. 
LUIZ EDUARDO PEREIRA DE SOUZA LIMA 
Rio de Janeiro, RJ 

Os mensaleiros com punho cerrado e semblante arrogante nos remetem a uma triste constatao: a mercadoria possui embalagem bonita e contedo com data de validade esgotada. Somente um bom tempo na cadeia poderia depurar tanta podrido. 
MARCOS A.L. SANTANA 
Palmas, TO 

As cenas dos mensaleiros presos e seus seguidores foram a Parada do Orgulho Corrupto. 
GILBERTO GERALDO GARBI 
Curitiba, PR 

Nada mais adequado que mandar papudos para a Papuda. Nunca vi tanto orgulho e tanta alegria em um bando prestes a ser encarcerado. 
BERNADETE MARIA NERY 
Belo Horizonte, MG 

A cara de pau no tem limite. Qual a razo dos punhos fechados na hora da priso? Se os mensaleiros estivessem num outro pas, eles nem teriam os punhos, pois l se cortam as mos dos ladres. Eles falarem em humilhao  brincadeira! No sabem o que  humilhao. Muitos brasileiros gostariam de ser humilhados como eles e querer receber uma aposentadoria de 28.000 reais, ter tratamento de sade de Primeiro Mundo pago com dinheiro pblico, viajar de jatinho particular dos amigos empresrios e tantos outros desmandos. Vamos ver por quanto tempo eles vo enganar o humilde povo brasileiro, mas tenho certeza de que o PT vai sumir. 
ALBERTO DE ASSIS PENA 
Por e-mail  

Petistas, poupem o povo brasileiro e parem de dizer que os mensaleiros presos esto sendo humilhados no crcere!" 
MARIA JOS NIZOLI COELHO
Santa Cruz do Rio pardo, SP

Alm de roubarem o dinheiro pblico, os petistas tm a coragem de "condenar" o ministro Joaquim Barbosa?  muita falta de carter. 
SOFIA TONIN ANGONESE 
Curitiba, PR 

Jos Genoino  genuinamente brasileiro: brasileiro preso no Araguaia porque desejou uma nao genuinamente democrtica e socialista: brasileiro como poucos, ficou preso nos pores do DOI-CODI, mas manchou sua biografia por um punhado de trapaas e mereceu a pena a ser cumprida. 
JOS NACHREINER JNIOR 
Curitiba, PR 

Destaco a foto na pgina 81 da edio 2349 de VEJA que mostra os parlamentares que foram ao presdio visitar os companheiros presos. Fica a o lembrete dessa imagem para que ns, eleitores, jamais venhamos a esquecer a solidariedade deles com os corruptos e o desrespeito com cada um de ns que torcemos para que a justia fosse feita.  inadmissvel esse gesto de solidariedade, que, no mnimo, agride o nosso senso de justia. Agora, os polticos esto mostrando quem eles so de fato. Meu pai dizia: "Quem se mistura com porco, farelo come". 
ANANIAS ROCHA 
Belm, PA 

Os petistas presos do mensalo recebem visitas como se em sua casa estivessem. A Papuda virou lugar de convescote, e o trem da alegria, no, a van da alegria leva para l deputados e senadores para animar a festa. Indecente, um escrnio aos brasileiros. Em coro, familiares de presos gritaram ao ver essa farra: puxa-sacos de ladres! E protestaram contra a discrepncia de tratamento entre os petistas presos e seus maridos ou filhos. Como bem colocou Reinaldo Azevedo em VEJA.com, essa situao evidencia a "luta de classes", uns mais "iguais" do que outros. E, nesse contexto, no d para no citar George Orwell, que, com sua lucidez, to bem analisou a relao entre o poder e os indivduos. Quem leu A Revoluo dos Bichos lembra que, no livro, animais de uma fazenda se rebelaram contra o dono que os explorava. E dois dos mandamentos de sua luta eram: "qualquer coisa que ande sobre duas pernas  inimigo" e "todos os animais so iguais". No tardou para que os porcos passassem a andar sobre duas patas, adquirindo todos os vcios do proprietrio da fazenda. O mesmo ocorreu com os membros do PT, que vieram para mudar tudo o que estava a, e, ao fim, se mostram "mais iguais entre si'', assemelhando-se e unindo-se queles que sempre comandaram o atraso do Brasil. Metaforicamente, h muito esto andando sobre duas patas! 
MYRIAN MACEDO 
So Paulo, SP 

Vamos propor uma ao popular pela reforma carcerria no Brasil, para que todos os presos tenham os mesmos direitos concedidos aos bravos mensaleiros e seu esquadro bilionrio de advogados. Direito de visita para as famlias (no  preciso vans com ar condicionado, tambm no vamos exagerar) e, mais que tudo, direito a regime aberto. Quem me acompanha? 
CECLIA THOMPSON 
So Paulo, SP 

PLANOS ECONMICOS 
Espero que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue a matria com iseno e justia como tem demonstrado em julgamentos recentes ("Uma deciso de 1,35 trilho de reais'', 27 de novembro). 
GUSTAVO GUIMARES DA VEIGA 
So Paulo, SP 

VEJA deu grande destaque ao julgamento no STF inerente s perdas em cadernetas de poupana, motivadas por diversos planos econmicos desastradamente implantados no Brasil. As matrias ali tratadas falaram da constitucionalidade das pertinentes leis da poca, das possveis perdas reais de poupadores, de previses dantescas para o sistema bancrio e para a economia em geral em presena da eventual vitria dos poupadores, entre outros catastrficos desdobramentos. A abordagem do tema, no entanto, passou ao largo de importante controvrsia referente  supervenincia de esprio lucro dos banqueiros no particular, decorrente da correo apenas parcial dos passivos de cadernetas, ao lado, e em contrapartida, de correo cheia ou plena dos ativos de financiamentos imobilirios, esta honrada ou paga pelo conhecido Fundo de Compensao de Variaes Salariais (leia-se Tesouro Nacional).  dizer que a virtual diferena de correo monetria em prol dos banqueiros representaria gigantesco lucro  custa de milhes de poupadores brasileiros, injustificvel sob prismas ticos, fiscais, jurdicos ou polticos. Nessa ordem de pensamento perdem em significado e importncia as consequncias da devoluo ao povo desse injusto lucro pelos banqueiros, em parcelas, ou escalonadamente, para reduo de impacto sobre a economia do pas. A questo em jogo, portanto,  acima de tudo moral, de respeito ao povo j imensamente prejudicado com congelamentos, retenes e confiscos abusadamente cometidos com a implementao daquelas malsucedidas experincias no campo econmico. Ao STF, com efeito, cabe a misso de julgar essa histrica e monumental questo a partir da constatao de ter ocorrido ou no lucro infundado de correo monetria tal como aqui apontado, representativo de virtual locupletao ilcita, para que seja feita justia com o cidado brasileiro. O signatrio deste texto viveu de muito perto essa intrincada questo, na ocasio como assessor tcnico da presidncia do BNH  de que foi funcionrio de carreira desde 1968 . mas se distanciou um pouco do trato do assunto por motivo de aposentadoria. A mdia, quem sabe, liderada pela importante revista VEJA, pode prestar mais este relevante servio  nao brasileira, particularmente  Justia, avaliando a justeza, pelos meios ao seu alcance, do aqui ora posto para exame e reflexo. 
JLIO CEZAR BASTOS LACERDA 
Rio de Janeiro, RJ 

Caso o STF d razo aos bancos, julgando constitucionais as leis que deram sustentao jurdica aos planos econmicos e, por consequncia, as correes havidas, nada impede que, no futuro, talvez at bem prximo, volte o governo a se assenhorear dos depsitos dos poupadores, o que gerar sria desconfiana no mercado financeiro. 
NORTON CANDEMIL PEREIRA 
Florianpolis:, SC 

J.R. GUZZO
Lendo o artigo "Algo est errado" (27 de novembro), de J.R. Guzzo, novamente senti minha alma lavada. Em sua anlise, Guzzo mostrou o verdadeiro comportamento do PT e de seus "chefes'", que agora abraam o crime, a corrupo, que tanto combaliam quando eram oposio. S no v quem no quer! 
SILVANA HUF DALL IGNA 
Salvador, BA 

J.R. Guzzo desvenda diante de nossos olhos uma verdade incontestvel. Apesar do processo e da condenao dos mensaleiros, a corrupo continuou a solapar nossa boa-f e ingenuidade, e sempre com a conivncia dos interesses polticos mais escusos, dos acordos e da cegueira dos que no querem (ou no podem) ver... inimigos de ontem e scios de hoje". Descrente ao extremo de nossos dirigentes, ouso cismar que ficaremos ainda mais boquiabertos diante de provveis novas notcias de corrupo em outros nveis. Um horror! 
SULAMITA PEN 
Guaruj, SP 

MALSON DA NBREGA 
Corretssimo o artigo "Lula, o carisma que deseduca" (27 de novembro), do economista Malson da Nbrega, quando fala que o discurso do ex-presidente Lula j est defasado, lembrando os antigos discursos sindicais que no empolgam mais. Depois de todos esses anos precisamos de embasamento no falar, e no de um discurso eleitoreiro de um cidado que j foi lder de uma nao e poderia usar tal oportunidade para informar, educar e esclarecer o povo, e no defender mais um partido que desmoronou simplesmente pela arrogncia do saber de sua cpula corruptvel. 
ADRIANA BASTOS 
Por e-mail 

O economista Malson da Nbrega no deve ter percebido que, na poltica, x  a realidade insofismvel e y so aqueles que se comportam como varivel dependente. Assim sendo, o que se apresenta agora  o desempenho de um lder que nunca teve concorrente  altura na histria deste pas, utilizando o carisma de forma sutil, manifesta e latente ao mesmo tempo. Pode-se inferir que ele realmente  "o cara", como disse o presidente americano Barack Obama  e os outros, como Getlio, Jnio, Brizola e Collor, foram to somente amadores principiantes, em face desse profissional da poltica. 
ALBERTO CLEIMAN 
Rio de Janeiro, RJ 

DCADA PERDIDA 
Excelente a reportagem "A autpsia da fraude" (27 de novembro), sobre o livro Dcada Perdida, do historiador Marco Antonio Villa. Desde que assumiram o poder, em 2003, Lula e o PT esto utilizando todos os artifcios imaginveis para reescrever a histria do Brasil. O mximo que conseguiram, at agora, foi manchar irremediavelmente suas biografias, cometendo os mais variados delitos com o intuito nico de se perpetuarem no poder. O mensalo  o melhor exemplo, mas no o nico. Na falha da oposio, a ex-ministra Marina Silva foi extremamente feliz quando afirmou que no h como reescrever a histria. No se pode apagar o que foi feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O Brasil que pensa sabe quanto o PT foi nefasto ao pas nessa dcada obscura. Estamos irremediavelmente em dbito com nossas geraes futuras. Pela nossa omisso, esse pessoal tomou conta do Brasil. 
CSAR MARCELO DE OLIVEIRA PAIVA 
So Lus, MA 

Sugiro uma distribuio em massa e gratuita do livro Dcada Perdida para conscientizar a populao e tentar impedir essa monarquia petista, manipuladora, populista e devastadora, de continuar no poder do nosso amado pas. Caso contrrio, podemos escolher se queremos ir no caminho da Argentina ou da Venezuela. 
JULIO PILENSO
Campinas, SP 

CASO SIEMENS 
H muito tempo o PT aspira a governar o Estado de So Paulo e nem sempre usou atitudes ticas para concretizar seu intento.  s lembrar da foto que mostrava o monto de dinheiro com que os "aloprados" petistas almejavam comprar um dossi falso sobre Jos Serra, que competia com Aloizio Mercadante ao governo paulista em 2006. Vazou, agora, por meio da imprensa, o caso Siemens, comprometendo os ltimos trs governos do PSDB, e, para espanto geral, soube-se que quem encaminhou a denncia a Polcia Federal no foi o Cade, rgo responsvel para apurao de casos de cartel, mas o ministro da Justia, Jos Eduardo Cardozo ("O ministro sai dos trilhos", 27 de novembro). Parece mesmo que o ministro descarrilou tentando jogar vages de denncias no muito claras e ainda no comprovadas sobre governos tucanos. Teria Cardoso aloprado"? 
ENI MARIA MARTIN DE CARVALHO 
Botucatu, SP 

PRIVATIZAO DE AEROPORTOS 
O governo petista abraa o capitalismo com a privatizao dos aeroportos internacionais no Brasil ("A privatizao que decola", 27 de novembro). Mesmo fazendo um mau governo, o PT sente a necessidade da privatizao e patrocina um sistema que, ao mesmo tempo em que desmoraliza o socialismo, permite a melhoria dos servios aeroporturios. A populao agradece. 
JOS OLMPIO DA SILVA CASTRO 
So Lus, MA 

BATERIAS ANTIAREAS RUSSAS 
Ao ler a reportagem "Um tiro no bolso" (27 de novembro), conclu que o maior problema que afeta o nosso governo se chama insanidade mental. 
VICENTE DE PAULO LENTZ BALDO 
Varginha, MG 

Alinhado com regimes como o da Rssia, o governo Dilma,  revelia do Exrcito, por exigncia do presidente Vladimir Putin, vai comprar dos russos um sistema de msseis antiareos para tentar reforar a defesa durante a Olimpada de 2016, no Rio de Janeiro. O sistema Pantsir-S1, da Rssia, no s  tecnicamente inferior e no est de acordo com as exigncias do Exrcito como chega a custar o triplo do cobrado pelos fabricantes concorrentes. Alm da revanchista Comisso Nacional da Verdade, essa  mais uma ao do governo para pr de joelhos as Foras Armadas porque elas no permitiram, em 1964, a cubanizao do Brasil. 
JAIR GOMES COELHO 
Vassouras, RJ 

OLIMPADA DE 2016
Cumprimentos  equipe de VEJA pela reportagem "Eles fazem acontecer'" (27 de novembro), sobre os bastidores da Olimpada de 2016. Agora deu para entender como um evento dessa envergadura acaba dando certo. 
RENNI A. SCHOENBERGER 
Joinville, SC 

PAULO ANDR 
Muito oportuna a entrevista '"O prximo lance  uma greve" (27 de novembro), com o jogador Paulo Andr Cren Benini, lder do Bom Senso F.C., que com clareza, maturidade e determinao apresenta propostas mais que necessrias ao futebol. Chega de troca de favores, falcatruas e desmandos na conduo do esporte. Fora os aproveitadores! Como ex-atleta e desportista, sonho com o dia em que o futebol seja de fato para quem de direito: atletas, tcnicos e torcedores. E espero que esse exemplo seja seguido nas outras modalidades esportivas no Brasil. 
MRIO CSAR VIEIRA MARQUES 
Marlia, SP 

Quanta lucidez, coerncia e verdade o jogador Paulo Andr expe na entrevista a VEJA. Ao dizer que era melhor investir em educao de qualidade, sade pblica, transporte e segurana com os 90% do dinheiro pblico aplicados na Copa, ele mostra uma atitude prpria de um cidado brasileiro inteligente que pinta, escreve e l Dostoievski e Voltaire. Adorei a entrevista. 
JOO GUILHERME FREITAS 
Bento Gonalves, RS 

Pertinente a entrevista com o jogador Paulo Andr. Concordo plenamente com tudo o que ele diz relacionado  pssima administrao do futebol brasileiro  no s da CBF como da maioria das federaes  e, principalmente,  interveno de polticos de todos os nveis em uma atividade "privada". Clubes so dirigidos por amadores, muitas vezes sem o mnimo conhecimento administrativo, que comandam jogadores profissionais pouco preparados em termos culturais e de vida. com raras excees, e pagam a eles salrios astronmicos, sem avaliar o retorno financeiro que podero trazer. Paralelamente a isso. parte da imprensa  mal preparada, com meninos recm-sados de uma faculdade, ou mesmo sem bons cursos, e dita regras que so seguidas  risca pelos dirigentes, preocupados com as crticas. Como ex-presidente de uma federao e ex-vice-presidente regional da CBF, falo com conhecimento de causa. 
RUY TELLES 
Braslia, DF 

Excelente a entrevista com o jogador Paulo Andr. Realmente, o futebol brasileiro  mal administrado. Em vez do atual presidente da CBF, Jos Maria Marin, se preocupar em valorizar o esporte, ele prefere tapar o sol com a peneira e escolher seu sucessor. S a alternncia de poder e a democracia podem livrar a instituio do fardo de ser um feudo Havelange-Teixeira. 
DIEGO LOPES DOS SANTOS 
Porto Velho, RO 

Li com ateno e respeito a entrevista de Paulo Andr. Gostei de sua postura e conscincia profissional. Ressalto ao intelectual atleta que, ao comparar o futebol europeu ao brasileiro,  preciso tambm confrontar o poder aquisitivo de ambos. Na Europa h menos jogos e melhor remunerao, porque seus torcedores tm dinheiro suficiente para bancar os clubes. Concordo com sua assertiva de que a CBF  desorganizada. Isso  demonstrado cotidianamente. Os jogos dirios na TV contribuem de maneira marcante para o enfraquecimento dos clubes brasileiros, sobretudo os menores, e as exibies das partidas tm acomodado, sobremaneira, os torcedores. 
NAPOLEO BRITO 
Soledade, PB 

Espero que o Bom Senso F.C. no atue somente em causa prpria. Os amantes do futebol agradecem. 
JOO ALEX D'AGOSTINI 
Cascavel, PR 

CINCIA SEM FRONTEIRAS 
D uma imensa alegria e satisfao ver essa fabulosa garotada, integrante do programa Cincia sem Fronteiras, trazendo para o Brasil o que de melhor pde aproveitar nas grandes universidades do planeta ("Prontos para conquistar o mundo'', 27 de novembro). Esse brilhantismo deveria ser usado para mostrar, tambm queles que causaram vandalismo na USP, o que o Brasil realmente espera de seus jovens talentos. Quem sabe os vndalos no criariam vergonha na cara e deixariam de agir como irresponsveis e inconsequentes. 
CARLOS AUGUSTO PEREIRA LIMA 
Mococa, SP 

Muito bonito o entusiasmo dos bolsistas do Cincia sem Fronteiras. Resta saber se agora prevalecem os novos projetos desses que esto voltando ao Brasil ou as velhas ideias daqueles que permaneceram aqui invadindo reitorias, promovendo utopias de almoos grtis, depredando bancos e lojas, fazendo de tudo, menos estudar. 
ANTONIO CAVALCANTI DA MATTA RIBEIRO 
So Jos dos Campos, SP 

LEITOR 
Impressionante, gratificante e surpreendente a carta do leitor Otvio Augusto Valaski Schlgel (Leitor, 27 de novembro)  um jovem de 17 anos que, na era do ocaso da leitura, escreve to bem, com preciso e objetividade. Sua anlise consegue ser ao mesmo tempo abrangente e sucinta. 
CARLOS CARRION TORRES 
Vitria, ES 

VEJA 
VEJA est de parabns! A edio 2349 (27 de novembro) foi a melhor da ltima dcada. Eu, particularmente, nunca havia participado da seo Leitor, mas desta vez no me contive. Fui coagido pela minha conscincia a colaborar com a revista e registrar o grande feito. Impossvel, contudo, eleger uma reportagem em especial para comentar, pois todas merecem destaque. No se trata de um exagero de minha parte. Expressar esse reconhecimento  um dever. 
NLIO RODRIGUES DOS SANTOS 
Macap, AP 

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o nmero da cdula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Diretor de Redao, VEJA - Caixa Postal 11079 - CEP 05422-970 - So Paulo - SP; Fax: (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


1#6 BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM 
COPA 2014
O Comit Organizador ter uma srie de gastos para os prximos meses. Cada centro de treinamento vai receber investimento de 1,5 milho de reais para acomodar as selees internacionais, www.veja.com/radar 

COLUNA
RODRIGO CONSTANTINO
BRASIL
O partido mais corrupto da histria brasileira  tambm o mais cara de pau, que insiste em posar de vtima do "sistema". Isso ficou muito claro com o mensalo e as tentativas dos petistas de jogar a culpa nos ombros da democracia. Eles teriam sido "forcados" a atuar dessa maneira criminosa, tadinhos! www.veja.com/rodrigoconstantino 

ESPELHO MEU
LCIA MANOEL
CNCER
Hugh Jackman tem cncer de pele. Essas notcias sobre celebridades funcionam porque as estatsticas sobre o cncer de pele ganham rosto e nome. www.veja.com/espelhomeu 

DE NOVA YORK
CAIO BLINDER
EUA
Aliados essenciais dos EUA no Oriente Mdio, como Israel e Arbia Saudita, esto apreensivos. Diagnosticam anemia americana, primeiro na guerra civil sria e agora na crise nuclear iraniana. www.veja.com/denovayork 

SOBRE PALAVRAS
BIZARRICES DO BIZARRO
A palavra "bizarro" vem sendo empregada em demasia, adquirindo no vocabulrio de muita gente  sobretudo gente jovem  papel semelhante ao de uma gria faz-tudo, o que pode ser empobrecedor ou, no mnimo, cansativo. Feita essa ressalva, o sentido de "estranho, esquisito, extravagante, esdrxulo, estapafrdio"  to dominante no portugus brasileiro contemporneo que empregar essa palavra na acepo original de "garboso, elegante, valente"  que seria um tanto... bem, bizarro.
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SOBRE IMAGENS
GEORGESILK
A revista americana Life tinha uma equipe de fotgrafos enorme e notvel, reconhecida pelas grandes reportagens fotogrficas. Alguns profissionais se destacaram por cobrir temas pontuais. Outros, pela diversidade. Foi o caso de George Silk (1916-2004). Nascido na Nova Zelndia, Silk trabalhou para a revista por trinta anos. Comeou durante a II Guerra Mundial, mas tambm acompanhou celebridades. Na cobertura esportiva, ficou conhecido por buscar ngulos inusitados.
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NOVA TEMPORADA
WALLANDER
Uma das melhores sries britnicas dos ltimos anos, Wallander, estrelada por Kenneth Branagh, est chegando ao final. Wallander  um detetive da polcia sueca, divorciado, que tenta manter proximidade afetiva com a filha. Durante anos, ele teve uma relao conturbada com o pai, um pintor que morreu em consequncia de complicaes causadas pela doena de Alzheimer. A srie chegou ao Brasil pelo canal Film & Arts e j passou pela BBC HD. As duas primeiras temporadas tambm esto disponveis no site de streaming Netflix.
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 Esta pagina  editada a parti dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


1#7 EINSTEIN SADE  REABILITAO: SUPERANDO LIMITAES
Com abordagem holstica, a reabilitao busca proporcionar autonomia e qualidade de vida  pessoa com deficincia.

     Nos vrios mbitos da sociedade h um positivo avano da conscientizao, das polticas e das prticas em favor da acessibilidade  um conceito que no envolve apenas a eliminao de obstculos (fsicos ou no), mas abrange todos os aspectos que possam favorecer o pleno desenvolvimento humano das pessoas com deficincia. Os servios de reabilitao passaram a adotar um olhar mais abrangente, combinando avanos tecnolgicos, equipes multidisciplinares especializadas e abordagem individualizada para que pessoas com algum tipo de limitao imposta por uma doena ou acidente reconquistem a autonomia, a qualidade de vida e todos os acessos a que tm direito. 
 abrangente o leque de recursos que ajudam a reintegrar a pessoa com limitao temporria ou permanente s atividades de rotina e ao convvio social. Em instituies de sade estruturadas, o trabalho de reabilitao pode comear j na fase aguda, quando o paciente ainda se encontra na unidade de terapia intensiva, por exemplo. A interveno precoce acelera a recuperao funcional e evita ou minimiza complicaes relacionadas  imobilidade e permanncia prolongada no leito. 
     Depois, h uma enorme gama de atividades desenvolvidas nos centros de reabilitao, espaos que se parecem cada vez mais com modernas academias, com equipamentos diversos, recursos robticos e games para exerccios motores e cognitivos, dependendo do perfil do paciente atendido. A equipe ideal congrega um time multiprofissional: fisiatras, cardiologistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psiclogos, enfermeiros, fonoaudilogos e nutricionistas. 
     Os cuidados, porm, devem acompanhar o paciente para alm das fronteiras do centro de reabilitao. H instituies que oferecem consultoria especializada, com estudos de adequao ambiental para garantir  pessoa com algum tipo de limitao o mximo de conforto e funcionalidade na residncia, local de trabalho ou de estudo. Restries e riscos potenciais so identificados e melhorias so sugeridas, com orientao para ajustes arquitetnicos e incorporao dos equipamentos e instrumentos mais adequados. A ideia  ter um ambiente acessvel, confortvel e acolhedor para a pessoa com deficincia e tambm para aqueles que com ela convivem. 
     E novas frentes se abrem, como os recursos de telemedicina que "levam" o centro de reabilitao para a casa do paciente: por meio de programas informatizados, exerccios podem ser executados pela pessoa na prpria residncia, sendo monitorados  distncia pelas equipes mdicas. Tudo isso para oferecer  pessoa com algum tipo de limitao a possibilidade de desenvolvimento, recuperao da autonomia e reinsero nos diferentes aspectos da vida familiar e social. 

Saiba mais sobre este e outros assuntos no sito www.einstein.br 
Sugira o tema para as prximas edies: einstein.saude@einstein.br
Sua sade  o centro de tudo
Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendorogio Neto - CRM: 48949


